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A Casa das Coelhinhas (The House Bunny) - Bom.


Anna Faris é simplesmente hilária. Só de olhar para o poster acima vemos o quanto ela é divertida. Já era hora dela sair um pouco das comédias no estilo de "Todo Mundo em Pânico" e partir para novos projetos. E este A Casa das Coelhinhas só funciona por sua causa. No mesmo, Faris faz o papel de uma coelhinha moradora da Mansão da Playboy que, por inveja, acaba sendo retirada da casa e arremessada no mundo real, pronta para enfrentar as maiores dificuldades. Por sorte encontra um abrigo em uma república feminina, ZETA, que coincidentemente precisa de reformas, não só na casa, mas nas suas moradoras nada femininas.
Típico dos filmes de sessão da tarde, o filme enche os olhos com muita festa e pouca roupa. Não espere muita coisa ao assistí-lo, pois além de ser recheado de futilidades sem grandes morais de história, ele ainda conta com poucas piadas. O que vale apena aqui é a interpretação de Faris e seu jeito cômico de ser, sem contar na simpatia, que contagia qualquer um que a veja.
Confira o trailer, abaixo:

"Segurando as Pontas" - Nada seguro.

Seth Rogen hoje é uma das personalidades mais famosas de Hollywood e produtor e ator de boas comédias de sucesso. Depois do imenso sucesso SEM NEXO de "Ligeiramente Grávidos", filminho bonitinho, de bilheteria imensa, ao qual americanos poderiam parir se não conseguissem ir ao cinema (sem estrondo no Brasil, com razão), surge este "Segurando as Pontas", modestamente intitulado do nome da maconha Pineapple Express, direto em vídeo. Ao lermos a sinopse, a vontade de assistí-lo é imensa, ainda mais contanto com grandes atores, incluindo o vilão de "Homem-Aranha", James Franco.
Mas infelizmente nem todos os atores conseguem carregar um filme todo e fazer dele um sucesso incomum. E é o que acontece nesta comédia sem o mínimo de graça, que se salva apenas por parecer um filme de ação.
Na sinopse, temos: O preguiçoso e maconheiro Dale Denton (Seth Rogen) só tem um motivo para visitar seu traficante Saul Silver (James Franco), igualmente preguiçoso: comprar maconha, mais especificamente, um novo tipo, chamado Pineapple Express. Mas quando Dale passa a ser a única testemunha de um assassinato cometido por uma policial desonesta (Rosie Perez) e o chefe do tráfico mais perigoso da cidade (Gary Cole), ele entra em pânico e deixa sua "bituca" de Pineapple Express na cena do crime. Dale agora tem outra razão para visitar Saul: descobrir se a erva é tão rara a ponto de ser rastreada e levar até ele. E é.Enquanto Dale e Saul correm para salvar suas vidas, logo descobrem que não estão sofrendo de uma paranóia movida a bagulho; inacreditavelmente, os bandidos estão, de fato, em seu encalço e tentam achar o meio mais rápido de liquidar ambos.
Enfim, apesar de ser bem produzido e de se igualar a alguns filmes de ação, o filme peca pelo que seria seu diferencial e sua real intenção: ser um filme de comédia, que chega a ser tão fraco, que a única coisa que podemos fazer é dar aquele sorriso de canto de boca.

Nick & Norah: Um Noite de Amor e Música - Crítica.


Muitos dizem que a infância, juventude e a vida adulta se diferem. Na realidade, essas fases contém sentimentos totalmente iguais. O que muda ao longo da vida é nossa racionalidade. Desde jovem presenciamos o amor, afeto, amizade, traição, inveja. Assim, engana-se o garoto ou garota q tem o desejo incontrolável de querer ser adulto o quanto antes, na ânsia por acontecimentos deslumbrantes.

É óbvio que cada época da vida tem sua peculiaridade. Como um dia-a-dia qualquer, cada fase, desde seu início, preenche nossos olhos (e nossa alma) com situações variadas, obstáculos interessantes e com sentimentos duradouros, levando-nos à maturidade, deixando-nos prontos para a ‘guerra (m)oral’. Bem-vindos à experiência humana inovadora.

Entretanto, não há fase melhor para o conhecimento e entendimento do Universo do que a observada na juventude. Desde a pré-juventude, a partir dos 12 anos, o ser humano já é capaz de diferenciar o certo do errado e a julgar sabiamente as questões sociais e os problemas relativos ao planeta. E esta descoberta inusitada pelo viver se junta à alegria da descoberta sentimental, fazendo com que os hormônios recém-nascidos se multipliquem ferozmente, criando assim, um campo energético incontrolável em cada ser, cessado somente com a união e a aventura compartilhada com a mesma raça.

Nick & Norah exibe muito bem esta questão juvenil, da forma mais divertida possível, pois não é necessário contar uma história complexa para mostrar toda a brasa e a alegria do aprendizado presenciada nesta etapa. Como relatada no subtítulo gentilmente criado pelo Brasil, o filme todo é exibido em uma única noite, ao som de belas canções e grande animação. Nick (o simpático e cômico Michael Cera, de “Juno”), ainda não se recuperou do término do seu namoro e não cansa de enviar CDs de desculpas para Tris, garota antipática que só via interesse e o traía sem piedade. Norah, que provém de uma amizade forçada com esta garota, é fã das músicas de Nick, apesar de não conhecê-lo. Numa noite, ao som da banda dos amigos gays de Nick, Norah, para driblar o fato de estar sempre sem companhia nas festas, acaba por beijá-lo, fingindo ser sua namorada por alguns instantes. O problema é que Norah não imaginava que o próprio Nick seria dono dos CDs que ela admira e ex de Tris. Tris, por sua vez, não agüenta o ciúme e tenta reconquistá-lo à força, só para mostrar seu poder de sedução. Confuso com a história? Junte a tudo isso uma amiga bêbada de Norah, pra lá de engraçada, a busca incessante da banda mais badalada do momento, “Where´s Fluffy?”, e algumas brigas, namoros e diversão pra mais de metro.

Comparado friamente ao seriado “Dawson´s Creek” (sem discursos ideológicos, sem problemas demais e com mais química entre os atores), “Nick & Norah: Uma Noite de Amor e Música” prova aos mais velhos aquela sensação de “já vivi isso antes”, proporcionando prazer e nostalgia para muitos, e momentos inesquecíveis para outros. Assim como a overdose profunda de acontecimentos da juventude, o filme faz jus a este período, de forma humilde, divertida e duradoura. E sua trilha sonora só faz reanimar todo ser que assistí-lo, inclusive adultos e idosos. Afinal, reviver esta memorável fase é como reativar todos os nossos mais desejáveis sentimentos, perdidos ao longo de tanta preocupação e da destruição cotidiana do ser humano.
Por Thiago Brogna.
Confira abaixo o super trailer:

Apenas Uma Vez (Once) - Crítica


Sucesso é algo questionável. Nunca se sabe com exatidão de onde ele vem, mas os benefícios por ele apresentados geralmente vêm em saldo positivo. Se algo com ele se tornar negativo, é devidamente culpa daquele que o executou, irresponsavelmente ou com pouca precisão. O que nos cabe decifrar é: sucesso é sinônimo de sorte? Riqueza? Manipulação? Suor? Ousadia? Apenas coincidência? Ou a união literalmente faz a força?

O Mercado de trabalho é gigantesco, pessoas e mais pessoas crescem, a mídia infesta a mente dessas mesmas pessoas com frases impactantes, fazendo-as darem o melhor de si e exigindo que elas alcancem o sucesso, o reconhecimento popular, nacional e mundial. Se não nos adequarmos, seremos demitidos desta gigante indústria humanóide. Honre seu nome, seu histórico familiar, dê o sangue por seus pais, seja o orgulho da casa, ultrapasse seus limites, ultrapasse seus inimigos, faça o que for para chegar ao topo, humilhe, manipule, minta, ejacule seus ideais, num gozo alucinante de prazer e ódio, criando novas formas de aliança. Não tenha dó, o que a sociedade quer é que você olhe no espelho e pense: "Eu tenho o Reino dos Céus sobre minhas mãos". Lute, humilhe e siga lutando. E depois que estiver pronto, padeça.

O leitor talvez questione tais atitudes citadas acima, mas... Não é isso que você está vivendo ou presenciando em seu cotidiano? E aqueles que não fazem parte deste mundo, o que fazem? Aliás, estes seres, que também buscam sucesso profissional ou pessoal, mas de forma justa e honesta, têm alguma chance em meio à famigerada Globalização?

É aqui que podemos dar destaque à história de “Apenas Uma Vez”. Desde o início do filme, observamos que ele possui alma (leia-se dedicação): o personagem, o músico retratado pelo cantor até então amador Glen Hansard, nos deixa alucinados com sua voz e com suas canções e mostra a todos que, com apenas algumas cordas de um violão unidas harmonicamente com suas cordas vocais, é possível mexer com todos os sentimentos de uma platéia imensa. No filme, Glen é um cantor que busca sucesso, dinheiro e pessoas para a formação de uma banda, podendo assim gravar um futuro álbum. Como força do destino, encontra, em meio aos sons e ruídos das ruas da cidade, a jovem estudante Markéta Inglova, ambulante, que se encanta com suas composições. Ao longo dos dias, e habilidades trocadas, eles veem o quanto inseparáveis estão se tornando e, enquanto cumprem suas tarefas diárias, conseguem tornar o sonho de mostrar a cara ao mundo bem mais próximo, apesar de distante. E é com a ajuda de amigos que chegam a gravar canções num Estúdio da cidade, impressionando conhecidos e parentes.

Ganhador de diversos prêmios, incluindo o Oscar de "Melhor Canção Original", Apenas Uma Vez conta uma simples história, porém com algo a mais, emocionante por suas belas músicas e belos intérpretes, exibindo cenas que dão ênfase à realidade, até mesmo naquelas em que a dupla canta uma música pela primeira vez (Glen e Markéta convencem ao treinarem, tocarem e cantarem a premiada "Falling Slowly" uma única vez, sem interrupções, sem demonstrar que algo já havia sido ensaiado).

Diferente do sucesso que conhecemos, "Apenas Uma Vez" mostra que não é necessário chegar ao topo para que possamos sentir prazer e satisfação no que fazemos e, sutilmente, quer mostrar que com persistência, humildade, paciência e muito sorriso no rosto seguimos, numa luta interminável, num processo lento, num teste, em que analisa-se nosso perfil e nossas escolhas, que definirão nossa sorte e nossa recompensa. Apologias à parte e sem o intuito de um final completo (afinal, nossa trajetória não tem fim), "Apenas Uma Vez" representa a leva de filmes fora do padrão hollywoodiano, diferente, tocante e inovador, com a certeza de ser visto, principalmente ouvido, não somente apenas uma vez.
Por Thiago Brogna

Confira o trailer deste ótimo filme, abaixo:

CAMINO - Crítica

A Fé sempre foi algo perturbador. É interessante a forma como ela é entendida e analisada, transformando-a em motivos para agirmos teatralmente como os bons ou os maus da história.

Mesmo sabendo que qualquer ato não justifique causas ou conseqüências, as pessoas insistem em defender e dissipar suas religiões, obrigando os esperançosos a acreditarem no que querem. Se o resultado não for positivo, inicia-se a carnificina. O fato de vivermos num mundo “democrático” nos aprisiona de tal forma que mesmo que não queiramos guerra, acabamos por participar, defendendo-nos dos ataques orais ou físicos, de um povo que exige em sermos como o que Deus supostamente lhes ordenou. Se o Deus humano for renegado, seus servos têm o livre acesso para aniquilar os seres de sua própria raça, malditos e pecadores, que teimam em se discernir e seguir seus ideais.

Camino, filme que o direto Javier Fesser presta uma homenagem, retrata a curta vida e a longa morte de Alexia Gonzáles-Barros, aqui nomeada como CAMINO, garota de 14 anos que, no início da juventude, vive um grande e oposto dilema: o início de seu primeiro amor e o início de uma trágica doença. Vítima de um tumor maligno, a garota (vivida pela linda Nerea Camacho), se apaixona pelo colega de classe, chamado Jesus e, para estar ao seu lado e para impressioná-lo, tem o grande desejo de participar de uma peça de teatro, reconstituição da história de Cinderela, da versão Disney, desejo este que acaba no momento em que as dificuldades de andar e respirar aumentam. A vontade de Camino voltar a viver é tanto que, continuamente ela tem sonhos com seu Anjo da Guarda e com o garoto Jesus, o que faz sua mãe, religiosa fervorosa, acreditar que a Trindade está pronta para recebê-la ao Reino do Céu, motivo este que faz todos os padres e a Igreja estarem ao lado da mãe, incentivando-a a oferecer a filha aos deuses, para que se torne Santa.

Javier, com roteiro extremamente bem amarrado, conta os dois lados da história, destacando o modo como Camino pensa, com sua infância e a fé em se recuperar, para se apresentar no teatro e poder ter o amor de Jesus; e o modo crítico da Opus Dei e da Igreja Católica, que vê a sua morte e delírios como meio de divulgação de sua religião, glorificando e sacrificando os humanos, numa demonstração de riqueza e poder perante o planeta. E cenas memoráveis e inteligentes, como as que Camino fala dormindo, num profundo sonho em que abraça e dança com o garoto Jesus, ao mesmo tempo em que sua mãe interpreta isso como uma dica para a morte e o recebimento da filha pelo Todo Poderoso, nos faz entender o porquê de um filme espanhol deste ter ganhado 6 estatuetas Goya, um dos mais importantes prêmios espanhóis.

Envolvente, contagiante e realmente triste, Camino nos deixa um pouco perturbados, pois toca numa ferida que está longe de cicatrizar e que, se entrar em discussão, poderá fazer com que a sociedade entre em colapso, numa incessante e ininterrupta guerra de ideais, em que pessoas tentam lutar física ou oralmente, convencendo-se de que sua religião é única e que, se alguém negar segui-la, queimará nos primórdios infernais, fugindo da possibilidade de tornar-se santo como Camino, algo este que ela mesma nunca havia desejado ser.


Obs: Camino ainda não tem data de estréia no Brasil, mas já faz sucesso na Internet, e com legenda!


Bônus: Confira o trailer deste fantástico filme, abaixo.



Por Thiago Brogna.

Evocando Espíritos: Querendo ser invocado.

O pôster: imagens que nada têm a ver com o filme.


Um grande marketing, para o sucesso de um filme, é dizer que ele é baseado em fatos reais. Parece que estas palavrinhas atraem as pessoa, ainda mais se a história tratar-se de um filme de terror, ou melhor, de espíritos. Você já viu algum romance ter estas palavrinhas mágicas?
Sabendo que um filme não terá grande sucesso nos cinemas, ou querendo atrair o maior número de pessoas para as salas, as grandes produtores apelam para qualquer coisa que faça o público dizer "OH!", sem ter tempo de pensar seriamente, deixando a razão de lado, trabalhando apenas com a emoção e a inquietação para analisar a obra. Poderíamos classificar tal "eficiência" como uma mensagem subliminar às avessas. Mas, a longo prazo... funciona?

Tenha por exemplo este Evocando Espíritos (Assombração em Connecticut, no original). Um filme de família, em casa mal-assombrada por vultos e espíritos que não gostam muito de aparecer, segue mais a linha de Jason e Pânico, com seus minutos de silêncio, seguidos de uma estrondosa trilha sonora em pequenos segundos, para que nosso coração possa palpitar pela boca. Não que o susto venha do medo da situação ou da imagem vista, e sim do barulho que ele causa em nosso tímpano. Se o filme fosse exibido há 10 anos atrás, certamente seria sucesso, mas nos dias de hoje é pouco provável.

Não entendo o fato dos americanos insistirem nesse tipo de filme. É certo que filmes de terror são emocionantes e bem aceitos pela crítica, mas o simples fato de jogarem vultos e sons na tela não deixa o filme menos insuportável. A mente humana é fértil e o comodismo é o seu pior erro. Por preguiça e por não querer inovar, erros assim acabam se tornando realidade e, para não fracassar e para acumular capital, inicia-se a útil e confiável publicidade e o jogo de marketing, que transforma o mais humilde pinóquio em um menino de verdade. Bom, problema dos americanos que não têm nada a perder.

Triste mesmo é ver o Brasil nessa brincadeira, deixando de exibir e divulgar excelentes histórias brasileiras, para dar espaço a inúteis babaquices mal elaboradas. E o fato de ter sido um filme baseado em fatos reais não é problema de ninguém, afinal, como dito no final do filme: não é preciso que alguém acredite nestes fatos, pois só quem estava ali pode dizer algo; alguns deles médicos, enfermeiros, padres, a família e Deus, que age da sua melhor forma de um jeito extremamente eficaz.
Como nada disso é problema meu, nem seu, busquemos maiores diversidades em nosso cinema, evitando desperdício, equícovos ou momentos muito mais do que invocados.

Noivas em Guerra - É...


Filmes de noivas sempre foram bonitinhos. E esta comédia (se é que isso é comédia) é tão bonitinho quanto. É o típico filminho lindinho, que toda Barbie adoraria ver. É o filme "não me acrescenta nada, porém me deixa feliz", a adorada história de guerra entre duas amigas que brigam por uma mesma data para se casarem, mostrando que, mesmo melhores amigos não são tudo na vida e que o que realmente nos interessa é somente o nosso ego e o que nós achamos melhor.

A química (quem disse que é só casal hetero que possui química?) entre Kate Hudson e Anne Hathaway é evidente, esbanjando simpatia, mas suas caras deixam claro que este filme só foi feito para encher linguiça ou para embolsarem um pouquinho mais de fama e dinheiro, pois apesar de comovente, 'Noivas em Guerra' certamente é o tipo de filme que seria ideal esconder de seus currículos.

O que de fato me chamou a atenção foi a LINDA moral da história para todo filme adolescente, que diz que as verdadeiras amizades não terminam e que sempre estarão unidas, não importa o que aconteça. Isso até pode ser verdade, mas a verdade que mais é real, e relatada com ênfase, é a de que, apesar de muito amissíssimos, o ser humano é solitário e individualista, já que se não for de total interesse dele, ele não abrirá a mão de certas coisas. Ou melhor: só farei o que for bom pra mim e, caso coincida com o que é bom pra você também, ótimo!

Entretanto, como todo filme hollywoodiano tem que terminar com chave de ouro, nada melhor do que imitar a vida, camuflando o que pensamos e as nossas reais intenções.

Aliens VS. Predador 2 (Ou: Filmes que você não deve ver, nem morto!) - parte 01.


Marketing, publicidade e mídia, apesar de PARECEREM sinônimos, são realmente quase tudo nesse mundo. O que a persuasão não faz com as pessoas? Ela é capaz de tudo, de manipular as mentes fracas, insinuar as mentes medianas e até de convencer as mentes férteis. As mais míseras criaturas se tornam interessantes e fugazes, a qualquer momento. Só basta planejar muito bem e jorrar precocemente e sem interrupções, através do seu veículo mais forte - a TV - milhares e milhares de mensagens, para que a sociedade não tenha nem tempo de questionar.
Com relação a filmes, a manipulação atinge patamares um pouco maiores: Internet, Rádio, Outdoor, brindes diversos e o melhor do boca-a-boca. A maior prova disso tudo vemos em produções que só enchem linguiça, o pior do blockbuster, produções que só geram dinheiro.

E para exemplificar obras-primas deste tipo está esse querido Aliens VS. Predador 2: Réquiem. Os ícones dos anos 80 do terror, os 2 alienígenas que nos faziam dormir suando, debaixo das cobertas, estão unidos mais uma vez, nos fazendo suar mais uma vez, com uma diferença: suar de ódio ou de rir. O que antes eram filmes excelentes, com personagens que nos enchiam os olhos, hoje os mesmos nos cansam a vista. O fato de lutarem em si já era absurdo, mas a história nos deixou mansos, torcendo o nariz, mas compreendendo que a "união" das criaturas até poderiam ser real. O mínimo de sucesso bastou para se fazer mais uma tortura, com um quê de réquiem, tão fútil que nem foi inserido no subtítulo brasileiro.

Agora, porém, não é preciso haver história (não vamos nem falar da sinopse, não é mesmo?), bastante alguns litros de sangue, carne, gosma verde e tiros, para resumir toda a andança. Em DVD podemos ver 7 minutos de cenas adicionais, pois afinal, "não puderam ser exibidas no cinema devido ao forte impacto". Que impacto? Além de perdermos 90 minutos preciosos, temos de levar um choque, com 7 minutos adicionais, espalhados nas sequências, que não impressiona em nada?

Felizmente, talvez não esperemos por uma trilogia, se tudo correr bem. Deixemos os predadores e aliens morrerem em paz, pois nem mesmo a morte é o suficiente após horas e horas de humilhação, diante de uma sociedade crítica, destruidora e capaz de nos decapitar, com uma simples produção. Que os ETs nos protejam!

Cinco Dias para a Morte - Bonzinho!


Depois de meses mofando no armário, resolvi asssistir a este filme, que muito duvidei, mas muitos me diziam ser bom. E pior que é... pelo menos nos primeiros 40 minutos. Só para esclarecer, esse filme foi feito para ser exibido em 4 episódios, na TV americana e posteriormente foi lançado direto em DVD, somando 2h30min de história.
Por ser dividido em episódios, foi necessário a arte da 'enrolation', porque apesar da trama interessante, foi preciso correr contra o tempo, para criar algumas situações marcantes. Vamos para a sinopse: Um professor de física, J.T. Neumeyer (Timothy Hutton), vai com sua filha Jesse (Gage Golightly, linda garota com grande talento) visitar o túmulo de sua esposa. Repentinamente ele vê uma valise perto da lápide, que tinha suas iniciais e o sobrenome. Para seu espanto, o conteúdo era um arquivo policial mostrando fotos dele morto com uma bala na cabeça, sendo que isto acontecerá em cinco dias. Inicialmente ele crê que se trata de uma brincadeira perpetrada por um dos seus alunos, mas certos fatos começam a acontecer e ele fica cada vez mais certo que tudo pode ser real, o que faz com que tente arrumar um meio de alterar o futuro. Todos ao seu redor se tornam suspeitos, incluindo sua namorada, Claudia Whitney (Kari Matchett), que tinha escondido coisas do seu passado. No começo o detetive Irwin Sikorski (Randy Quaid) não deu importância para a história de Neumeyer, mas agora está convencido da realidade dos eventos. A tentativa de alterar o futuro é contestada por Carl Axelrod (Hamish Linklater), um estudante que está convencido que alterar o curso dos fatos gerará conseqüências graves.
O que acaba cansando no filme é o fato de que o interesse se perde quando o personagem principal se perde no roteiro, com muitos furos por sinal, sem descobrir a fundo tudo o que lhe ocorreu. Faltam explicações lógicas e inteligentes para o caso (como surgiu a tal pasta, quem a enviou?) e, depois de mais de 120 minutos grudado na tela, saímos com um grande vazio e com cara de tacho. O que apenas nos consola são aqueles distantes 40 minutos, que ficamos felizes e empolgados, esperando ver um dos melhores filmes de nossas vidas.
Epa, alguém aí acordou ao cair da cama?

Moulin Rouge - Já é clássico!


Reassisti hoje, ao comprar naquelas super promoções das Americanas, ao filme Moulin Rouge: Amor em Vermelho (não me perguntem a idiotice deste subtítulo). Não me recordava das belas canções que há no filme, inclusive a de Elton John e a atuação memorável dos atores. É realmente um musical com algo a mais, incorporando a vida cabaré, a prostituição, o amor e a escravidão das paixões, tudo ao ritmo dançante, tipo de filme que muitas pessoas odeiam e torcem o nariz só de ouvir falar. É o tipo de sucesso fora do comum que muitos não querem nem saber ou conhecer, estereotipando a ignorância presente no mundo. É a humanidade, em sua mais honesta e modesta opinião, julgando algo sem sequer ter noção. Julguemos mesmo, afinal, temos o direito de resposta, ainda mais nós, seres humanos, que não fazemos nada de errados e sempre fomos perfeitos.

Assista!

Um Sonho de Liberdade (1994) - Crítica




Desde pequenos, muitas crianças são educadas para sempre fazerem o bem e nunca mentir ou enganar seus amiguinhos de classe. Caso façam algo de errado, a pena a ser cumprida é dada na forma de castigo, excluindo de suas vidas algo material de grande valor. Quando adolescentes, o castigo pode ser pior, como uma linda visita à delegacia. Os jovens, assim dizendo, temem passar momentos na cadeia, desde sempre estereotipada como um lugar maldito e sofrível, que só pode ser descrito por quem o vivencia. Mas... seria mesmo?

Em “Um Sonho de Liberdade”, o diretor Frank Darabont, estreante em 1994, baseia-se numa história dramática (pasmem) do mestre do terror Stephen King e retrata o dia-a-dia da penitenciária de ShawShank, um lugar excelente para se viver em comparação com as prisões do Brasil (leia-se Carandiru), porém, condenável para as práticas americanas, mesmo sabendo que todos os sobreviventes ali são uniformizados, limpos, têm boas condições de higiene e comida admirável.

Andy Dufresne (Tim Robbins, memorável), um rico e inteligente banqueiro, é acusado de assassinar a mulher e o suposto amante, pegos num momento apaixonado, sendo sentenciado à prisão perpétua. Sem grandes dificuldades, apesar do preconceito racial e da perseguição de homossexuais, ávidos por “carne nova”, faz amizade com Ellis Boyd Redding (Morgan Freeman), um prisioneiro que cumpre pena há 20 anos e controla o mercado negro do presídio, sutilmente. Ellis, já de início, aprecia a chegada do rapaz e observa seu grande potencial, ao comprar-lhe simples objetos, inofensivos. Juntos, vivem grandes momentos e, apesar de terem suas culpas (pouco relatadas no longa), vêem que são honestos e possuem boa índole, em comparação à corrupção de funcionários e da própria diretoria.

O filme, além de mostrar claramente toda a dificuldade enfrentada, destaca-se por retratar o abuso e o uso dos condenados, através de falsas esperanças, da falsidade, da má valorização e do tratamento prestado, uma vez que todo o benefício da cadeia é repassado para seus agentes e para o diretor, que se vangloria ao chamar a atenção da mídia, roubando ideias do genioso e esperto Andy, que tentou ajudá-los, com o interesse de diminuição em sua pena e em adquirir condições melhores para os presos. Contrariado, foi brutalmente massacrado e ameaçado, forçando-o a continuar seu processo de lavagem de dinheiro, meramente de fácil aquisição.
Apesar de parecerem mundos surreais e completamente opostos, o mundo “liberal” e o mundo nos presídios não se difere em nada, mostrando um dia-a-dia comum, com atividades corriqueiras e relacionamentos eficazes, a ponto de convencer e manipular os fracos, na luta pela sobrevivência humana, a raça mais complicada, injusta e julgadora existente. O sonho de uma liberdade real ainda é almejada pelos humanos e, assim como na cadeia, só poderá ser descrita por quem um dia a vivenciar.

Por Thiago Brogna

Dúvida (Doubt) - Crítica


Dúvida. Incerteza. Desconfiança. Incredulidade. Objeção. Eis aqui alguns sinônimos de um único sentimento capaz de destruir vidas, que está presente e que caminha na sociedade, mudando rotas e abrindo caminhos para novas decisões, sejam elas benéficas ou não.


Sem sombra de dúvidas é contrito o fato de como o cérebro e o coração são capazes de confundir o Ser humano, num jogo de “Razão Vs. Emoção”. Um pequeno ato ou impulso pode tornar-se um passo para o julgamento e, incertezas à parte, a curiosidade que nos aguça e o desejo que temos de desvendar algo que nos mortifica é grande, a ponto de ultrapassarmos o limite psíquico humano e provocar momentos únicos, prazerosos e egocêntricos.


Dúvida, um título minúsculo e simples para um filme, porém recheado de infindáveis explicações, relata ainda mais esta questão por se passar inteiramente em 1964, dentro de uma escola paroquiana. Diretora da Saint Nicholas, a Irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep, numa interpretação memorável e convicta) é uma pessoa muito rígida e acredita que através do medo e da disciplina fará com que a educação juvenil seja eficiente. Em contrapartida, padre Flynn (Philip Seymour Hoffman, indiscutível) faz de tudo para quebrar algumas regras burocráticas dessa sociedade, exorcizando os rígidos costumes da escola. No meio-termo está a Irmã James (Amy Adams), a pura-alma e ingênua do local, capaz de cegar-se sobre certos assuntos, mantendo consigo a paz espiritual.


A chegada do jovem Donald Miller, o primeiro rapaz negro aceito em Saint Nicholas (por causa das constantes mudanças políticas da época), faz com que as pragas mundanas despertem. Devido ao preconceito sofrido pelo garoto e sua difícil adaptação, o Padre Flynn torna-se seu único amigo e confidente, mas certas atitudes presenciadas pela Irmã James a fazem relatar tais pontos de vista para a diretora – interesse que também lhe trará crédito, pois já havia sido criticada por não expor os problemas da sala de aula para um superior. Após constante interrogatório e fofoca entre as Irmãs, o Padre, “vítima” desta imprudência, é perseguido pela diretora, que impõe sua decisão de expulsá-lo da escola a todo custo.


Apesar de estarmos falando em pedofilia, em momento algum este problema é mencionado, o que faz com que nenhuma criança entenda a real história do filme, caso esteja assistindo-o. O roteiro bem elaborado (que concorreu ao Oscar 2009) nos mostra a visão de um Padre amigo, que tem a intenção de ajudar ao coroinha, a luta de uma mulher, que almeja poder, e sua mente atormentada pela (in)certeza de um episódio imperdoável e da luta de James, que teme a frieza da diretora, mas quer acreditar no bom coração de um homem livre de crendices. O ponto alto da dúvida na trama se dá no momento em que Irmã Aloysius conversa com a mãe de Donald (Viola Davis, esbanjando confiança e perfeita interpretação), conversa que deixa qualquer um de boca aberta, pelo grande realismo vivido numa mundo social que muitos desconhecem.


Excelente até mesmo em seu desfecho final, Dúvida esclarece, ao mesmo tempo em que deixa uma dúvida pairando no ar, de acordo com a história que quer descrever, mas aprofunda-se mais nas questões humanas, fazendo-nos mergulhar e observar que até mesmo no mundo religioso todos são providos de ganância, poder, falsidade, ignorância, preconceito, injustiça, corrupção e dúvida. É o Ser humano disfarçado sob sua melhor máscara.


Por Thiago Brogna.

Se Eu Fosse Você 2 - Crítica


A mente humana é inquietante. Graças a ela vivemos num mundo amplo de tecnologia e inovação. O planeta cresce, novas formas de vida surgem e tudo o que era teoria vai se tornando palpável. Ou quase tudo.

Uma das teorias mais curiosas que o Homem busca por respostas há anos é sobre a troca de corpos. Sejam elas espirituais ou carnais, sob possessões ou cirurgias cerebrais, a sociedade científica ou médica sempre teve interesse em relação ao termo “E Se...”: e se fosse possível substituir as mentes humanas, o que faríamos? E se fosse possível ser outra pessoa, um ídolo, um arqueólogo, um presidente? Como reagiríamos, o que poderíamos conhecer, o quanto de aprendizado adquiriríamos? E se fosse possível a troca de sexo integral, estaríamos satisfeitos? Toda esta teoria e explicações corriqueiras para o encontro de uma solução, distante até então, deixa essa sociedade abismada. Entender, desejar e calcular milimetricamente todas as opções de algo que não se pode executar é intrigante.

Entretanto, o mundo cinematográfico é o mundo perfeito para imaginações e, enquanto nenhuma experiência de sucesso é exibida nas fervorosas e estereotipadas comunicações em massa, podemos analisar constantemente algumas obras que tratam do assunto. Desde a década de 30 vemos filmes como Frankenstein, A Ilha do Dr. Moreau, Do que as Mulheres Gostam, Sexta-Feira Muito Louca, A Chave Mestra, entre outros, retratarem o tema, todos a seu modo e de acordo com o que querem representar. O Brasil não poderia ficar ausente.

Depois do elogiado roteiro de A Dona da História, em que uma mulher de 55 anos (Marieta Severo) se encontra com ela mesma, jovem (Débora Falabella) e toma atitudes diferentes na época, mudando o rumo de sua vida – voltando novamente à teoria do “E Se...” – fomos presenteados em 2006 com uma das melhores comédias brasileiras da atualidade: Se Eu Fosse Você. Timidamente, sem fazer barulho, a comédia estrelada pelos excepcionais Tony Ramos e Gloria Pires chegou aos cinemas e em pouquíssimo tempo fez um estrondo inimaginável. Situações corriqueiras, estas em que todos se identificam, tornam-se cômicas quando trocadas por homens e mulheres. E observar o cotidiano de duas pessoas, que têm a “alma” trocada, é hilário. O sucesso foi tanto que, em 2009, ganhamos mais uma parte, algo inédito feito com filmes nacionais, pois nenhum até então (exceto os infantis e filmes-séries) havia tido uma continuação.

Elaborado com cuidado e sem se preocupar com atribuições “blockbusterianas”, o diretor Daniel Filho acerta mais uma vez, calando a todos aqueles que pensam que as continuações tendem a estragar a obra original. Igual ou superior ao primeiro, o pretexto para a troca de corpos agora é relacionada às degradações ambientais (leia-se Aquecimento Global) provocadas pelos humanos, propensos a receber “dois raios num mesmo local”. Perto da separação, Cláudio (Tony Ramos, excelente) e Helena (Glória Pires, interpretando sua masculinidade muito melhor do que na primeira versão) enfrentam alguns problemas inseparáveis: a vida familiar e a vida profissional. A ausência conjugal fica estressante para ambos, que buscam solução no divórcio. Após brigas e repetição das mesmas palavras, têm o corpo trocado novamente e a experiência anterior faz com que fiquem ainda mais desesperados por terem que reviver tal situação. Enquanto isso, a filha do casal vive uma nova experiência: a de estar grávida e não estar preparada para compartilhar suas emoções e adaptações para um rápido amadurecimento.

Com roteiro enxuto e objetivo, Daniel Filho optou por focar cada personagem na maneira de lidar com um novo corpo e com a nova vida de solteiro, mostrando que mesmo após ininterruptas discussões, ambos não conseguem deixar de se preocupar com a família. Acontecimentos contrários às atitudes de cada um, incluindo a saia justa de ter que conhecerem os pais do futuro genro, e cenas em que Cláudio e Helena têm de dançar e jogar futebol (cena esta em que vemos a evolução da computação gráfica no Brasil), são apenas aperitivos para um filme repleto de diversão e de belas atuações.

Perdendo o encanto apenas para participações não importantes (como a de Adriane Galisteu, simpática, porém não convincente) e para propagandas dos patrocinadores em diversos cenários (modestas, mas inúteis), Se Eu Fosse Você 2 – com continuação já marcada – prova que o país está melhorando a cada ano e é digno de filmes maravilhosos que não retratam apenas a vida sofrida da periferia (Última Parada 174, Carandiru, Cidade de Deus), e que para se fazer uma ótima comédia não é necessário recorrer à táticas hollywoodianas. Manter a mente humana inquieta e ávida para novas conquistas é tudo o que se precisa.




Por Thiago Brogna

Última Parada 174 - Crítica


Todo ufólogo que se preze jamais entenderia se seres extraterrestres lutassem entre si, causando a discórdia entre espécies. Para eles, uma mesma espécie racional deve ser unida, lutando sim, pela sobrevivência, porém unidos. Quando observamos outra e qualquer forma de vida, com um olhar subjetivo, não há como entender um motivo findável para tanta guerra. A luta pela sobrevivência, neste contexto, é compreensível desde que seja utilizado para atender às necessidades básicas de um indivíduo. Entretanto, para os complicados e complexos seres humanos, estas necessidades acabam por se tornarem um tanto fúteis, motivos mínimos para que se inicie o caos da humanidade.

E algo que conforta muito as pessoas é a arte de julgar outras pessoas. Para elas, não há nada melhor do que apontar as conseqüências alheias, sem precisar ou querer entender sua causa; analisar e criticar o “irmão próximo”, comparando-o negativamente em relação ao seu superego, é algo reconfortante. E a real história transformada em segundo filme (há um filme-documentário, lançado na época) do famoso ônibus 174 mostra muito bem isto.

Explicando com detalhes todos os motivos que levaram à tal tragédia, o arrogante diretor Bruno Barreto permite ao telespectador voltar ao ano de 1983, durante o nascimento de dois garotos, Alessandro e Sandro (posteriormente conhecido como Ale, o protagonista do filme), relatando separadamente a infância de cada um: Alessandro, após ser tirado à força da mãe, viciada e endividada, é criado pelo tio da maneira mais comum exercida na favela – aprende a atirar, a não confiar em ninguém e a cultivar um ódio desnecessário à qualquer pessoa que atrapalhe seu caminho. Sandro (Ale), garoto inocente e receoso, perturba-se ao presenciar a morte violenta da mãe e passa a morar na casa da tia, mas vai embora brevemente, ao perceber que não é bem-vindo pelo tio.

Ao longo de sua nova jornada, abençoados por Cristo na Cidade Maravilhosa (a cena em que uma criança caçoa da bênção recebida em plena luz do dia chega a ser hilária), ambos os Ales se conhecem, sob jura de morte devido à dívidas, e mais tarde, na cadeia, se entendem, já que, mesmo vivendo de uma forma contrária a todas as regras da sociedade, ainda conseguem enxergar cumplicidade e companheirismo. Enquanto isso, a mãe de Alessandro, ex-viciada e recém convertida religiosamente, procura por seu filho perdido, fato que a leva até Sandro, que interessado em melhorar sua moradia, usufrui de sua bondade, fazendo-se passar pelo filho sumido. A convivência nas ruas faz a nova mãe perceber a agressividade de Ale, o que a afasta de seu marido-pastor (que prefere dar importância às bênçãos de capitais recebidas por sua Igreja), não obstante ao amor incondicional que ela tem a oferecer, independente dos defeitos de seu filho.

Após apresentar, sob forte tensão e com detalhes, a trajetória de fracassos e influências negativas de um garoto que poderia ter sido excepcional, mas chega ao seu extremo devido a uma desilusão amorosa, transformando sua mente refém de pensamento único, o diretor nos presenteia com as cenas finais, as únicas da qual os brasileiros conheciam, vividas dentro do inesquecível número 174. Ajudando com o término da operação, somos surpreendidos por um personagem de outro sucesso brasileiro, um dos capitães do filme Tropa de Elite, Matias, sedentário na tela, que procura acalmar o rapaz (para quem não sabe, Tropa de Elite só ganhou vida devido ao documentário Ônibus 174, que tem o BOPE como tema principal).

Mesclando cenas reais com cenas propositalmente feitas com qualidade inferior, equivalente a câmeras domésticas, o telespectador se torna um dos passageiros do ônibus e sente a angústia que paira no ar, aflito para a conclusão final. Conclusão esta que Bruno Barreto vangloriou-se dizendo que todo brasileiro não imaginava até agora, sem notar que tal modificação poderia afetar a verdadeira história, favorecendo as peripécias (já apresentadas) da polícia nacional. A sinceridade às vezes é o melhor caminho para que uma raça encontre harmonia constante, fato que talvez só possamos presenciar algum dia, em outros planetas.

Antes que Termine o Dia (If Only - 2006) - Crítica


Como seria nossa vida se seguíssemos caminhos diferentes? Como agiríamos ou reagiríamos através destes caminhos, contrários a nossos pensamentos? E se soubéssemos que morreríamos em breve? Consertaríamos erros passados, deixando nosso legado ou viveríamos aventuras finais, nunca aproveitadas ao longo dessa jornada?


Perguntas como essas nos deixam atônitos ao tentar uma solução lógica, algo muito distante do ser humano entender. Mas, para quem acredita em DESTINO, não devemos mudar nossas rotas e sim segui-las de forma natural, pois segundo essa norma espiritual, queiramos ou não, iremos passar pelas situações que nos são pré-dispostas. Talvez seja essa palavra, destino, que nos conforte, mas nos apavore, constantemente. Afinal, acaba sendo constrangedor saber que podemos viver presos, numa “realidade pronta”, uma vez que tudo o que fizemos será parte de algo que estava predestinado a acontecer.

A premissa deste Antes que Termine o Dia é exatamente esta, com o intuito filosófico do “carpe diem”, ou ‘aproveite o dia’, recheado de morais da história e de situações ambíguas e impossíveis, mas que faz o telespectador desejar que alguns momentos possam vir à tona, tornando-se parte de si mesmos.
O romance retrata a vida da jovem Samantha (Jennifer Love Hewitt, mais conhecida por protagonizar os filmes adolescentes Eu (Ainda) Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado, excelente no papel da jovem dramática, bem à vontade), com grande aura artística e cantora tímida, que dá aulas para crianças, e seu namorado Ian (Paul Nicholls), rapaz empresário, preocupado constantemente com a carreira, deixando de dar importância para as coisas simples da vida, assim como seu relacionamento conjugal. Samantha (ou Sam) releva todas as desculpas e todos os seus compromissos profissionais, mas não deixa de demonstrar sua angústia e desgosto. Há motivos o suficiente para o casal entrar em harmonia e manter a felicidade, mas atitudes que visam o próprio ego acabam por estragar uma grande história de amor que poderiam estar vivenciando, sem interrupções.

O momento ‘chave’ da história resume-se num taxista, que nos remete à uma alusão à Deus ou ao próprio Destino, encarnados, que dá dicas para que Ian tome certas providências, evitando situações drásticas, fato este que não é percebido por ele, até presenciar um grande acidente, capaz de fazê-lo compreender o motivo de estar sendo julgado, recebendo assim, uma segunda chance. Porém, dia seguinte, após surpreender-se com o que lhe ocorrera, Ian (e o telespectador) não consegue entender se os acontecimentos da noite anterior foram sonho, realidade ou um presente Divino, fazendo-o olhar as pessoas à sua volta e que o amam, preocupando-se em viver literalmente a vida a partir daí, excluindo problemas inúteis que não trazem proveito algum.

Com cenas empolgantes e gostosas de observar, o filme nos leva a pensar se o que fazemos no mundo de hoje tem realmente importância e se queremos continuar a complicar fatos que poderiam ser resolvidos com uma simples conversa, humildemente e sem qualquer rancor. Mas, apesar de exprimir tais idéias, o filme deixa claro que, mesmo que dermos valor aos sentimentos e não a coisas materiais e mesmo que mudemos a rota da nossa (in)felicidade, tudo o que nos foi predestinado acontecerá, mesmo que tentemos evitá-lo. Nada aqui será modificado, inclusive aquilo que o Homem já modificou.

Por isso, a moral da história mais eficaz para uma história como esta é a de que, embora acreditemos ou não no Destino, temos que aproveitar ao máximo o que nos foi presenteado, superando as divergências e enfrentando novas experiências com louvor, sem esquecer de amar quem nos queira bem, pois cedo ou tarde, esse alguém deixará de existir e não podemos permitir que o arrependimento ou a incompleta expressão “E se...” (If Only, título original) tome conta de nossos pensamentos, algo comum de ocorrer. Pois bem, a moral continua sendo bastante clichê, mas ... quem disse que ainda não funciona?




Por Thiago Brogna

[REC] - Crítica




Sempre apreciei filmes de terror. Adorava, desde pequeno, assistir a esse tipo de filmes, escondido em minhas cobertas, no escuro, com a pipoca entre as mãos e, caso estivesse em tempos chuvosos, meu contentamento duplicava. Como era bom poder sentir aquele frio na barriga! E filmes como “Sexta-feira 13”, “A Hora do Pesadelo” e “Halloween” me proporcionavam enorme prazer, ao mesmo tempo em que não me deixavam ter noites de sono tranqüilas após assisti-los. Assim fui crescendo e este tipo de ‘película’ (que Deus a tenha!) foi se desgastando, mas a indústria cinematográfica buscou outros meios de amedrontar os fãs do horror.
Quando “A Bruxa de Blair” estreou em todo o mundo, inovando com o conceito de câmeras em olhar subjetivo, a maioria torceu o nariz. Foi necessário pouco tempo para que se tornasse um fenômeno, apesar da apelação das filmagens terem sido reais (algo que não convenceu nem mesmo ao mais simples Ser). Sua continuação, porém, apesar de não ser ruim, deixou a desejar, por não mostrar a tal Bruxa moradora de Blair e por não ter os efeitos de câmera como no primeiro, vindo a ser mais um filme de terror comum. Pronto: a inovação de 1999 estava fadada ao fim.

Eis que em 2007 somos apresentados a REC, filme espanhol dirigido por Jaume Balagueró, no mesmo estilo de filmagem realizada por Bruxa de Blair, com a única diferença de que o camera-man é um profissional (não deixando o telespectador com náuseas, ao tremor da câmera). Unindo ainda uma homenagem a filmes de George Romero e seus famosos zumbis, REC mostra a jornalista/protagonista Ângela Vidal (Velasco) preparando uma matéria para seu programa “Enquanto Você Dorme”, que acompanhará bombeiros em sua rotina noturna. Após horas de espera, uma chamada para atender uma ocorrência em um prédio surge, envolvendo uma senhora aparentemente histérica, que está transtornando os moradores. Porém, os bombeiros, uma dupla de policiais, Ângela e seu cinegrafista se deparam com uma situação pavorosa que se torna ainda pior quando o prédio é isolado pelo governo sob a justificativa de evitar a propagação de uma estranha epidemia. Ângela chega a irritar, tanto o telespectador quanto os policiais locais, por querer registrar tudo o que acontece, desafiando qualquer um que fique em seu caminho. O filme aposta no realismo desde seu início e não possui qualquer trilha sonora ou cortes de câmera extravagantes, mantendo em destaque apenas os diálogos e o pavor das personagens.

Tudo foi muito bem orquestrado, até mesmo cenas em que a câmera, manipulada por Pablo (que nunca vemos), é posta no chão, numa posição em que podemos ver o que está se passando ao redor. Somos levados para dentro do prédio e a tensão tende somente a aumentar quando, surpreendentemente, zumbis (ou pessoas semi-mortas, como queira) aparecem, sem qualquer explicação, e tentam morder os residentes. Até mesmo um simples olhar negro e calmo de uma garotinha doente nos perturba, antes que possa manifestar seu terror.

É óbvio que depois deste, outros filmes de mesmo estilo surgiram, como o ótimo “Cloverfield” e “Diário dos Mortos”. Entretanto, REC é tão angustiante em certas cenas e já ganhou tantos prêmios, a ponto de Hollywood, sem mera surpresa, comprar seus direitos para um adaptação, que sai ainda este ano, intitulada “Quarentena”. Mas, depois de um filme espanhol tão bem feito (diferente dos filmes japoneses e suas maravilhosas adaptações), seria mesmo necessário? É a indústria americana querer demonstrar seu poder, mais uma vez.

Noites de Tormenta


Não espere muito deste “Noites de Tormenta”. O filme não foi feito para ser um novo filme-ícone e sequer tem a intenção de ganhar algum prêmio, seja ele o Oscar, Globo de Ouro ou o Festival Internacional de Cannes, mas funciona muito bem na telinha. Sua pretensão fica em apenas mostrar uma bonita história de amor, simples e verdadeira, para corações amargurados que tiveram a dádiva da segunda chance, apaixonando-se após tempestades de sofrimento.

Após viver intensamente sob o caos de seu divórcio, Adrienne Willis (Diane Lane, linda e simpática como sempre), busca refúgio na pousada da amiga, na cidade de Rodanthe (aí traduz-se o título original do filme, “Noites em Rodanthe”), que necessita viajar e precisa de alguém para vigiar o local. Sob uma atmosfera tranqüila e relaxante, Adrienne tem tudo o que precisa para refletir sobre sua vida: não há vizinhos por perto, há uma bonita praia em frente à pousada e um silêncio tão grande a ponto de sentir o palpitar de seu coração. Mas o fato de estar sozinha trás à tona todos os seus problema novamente: seu ex-marido a pressiona para aceitá-lo de volta em casa e sua filha, desejando tal união, a critica frequentemente e não dá ouvidos às explicações da mãe. Este tormento em sua vida só vem a melhorar quando, após previrem uma grande tempestade na pequena cidade, um único hóspede chega ao recinto. Dr. Paul Flanner (Richard Gere, à vontade no papel, relembrando os tempos de “Uma Linda Mulher”), vem à cidade com um único intuito – ao qual não revelarei aqui, para não estragar a surpresa – tentando livrar-se de uma crise de consciência.
Presos durante a grande Tormenta, o casal atormentado com o passado busca consolo e troca experiências e histórias de vida, apoiando-se e ajudando nas soluções de seus problemas, iniciando um romance que trará grandes mudanças para ambos.

Gostoso de assistir, este filme baseia-se no Best-seller de Nicholas Sparks (autor de “Uma Carta de Amor”, “Um Amor Para Recordar” e “Diário de uma Paixão”) e mostra bons resultados em comparação ao livro, com bons diálogos, algumas surpresas e incríveis paisagens, que nos dá uma imensa vontade de passar um único dia sequer na pousada local – a cena inicial, que mostra um giro de 360 graus da pousada, em pleno calor do dia, nos dá essa ideia.

Como já comentado anteriormente, a história não requer muita intelectualidade por parte do telespectador e só foi feito para aqueles que apreciam uma boa história de amor, comum à qualquer um, e que possui o poder de cativar com sua simplicidade, humildade e eficácia. Afinal, o que seria da vida sem seus prazeres mais inesperados?


Por Thiago Brogna

MARLEY E EU - Crítica




Desde pequeno eu sempre notei que o ser humano é o tipo de raça que, ao mesmo tempo em que julga o universo, busca também exercer o poder sobre outros, precisamente sobre seres inocentes que não discutem em hipótese alguma a questão de serem submissos.
Talvez este possa ser um dos motivos que faz com que milhares de pessoas se apaixonem seriamente com apenas um único olhar canino.
Sejam eles novos ou velhos, lindos ou encardidos, não há dúvida: eles sempre serão os melhores amigos do Homem. Quer um motivo melhor? Eles são simpáticos, lindos, fiéis, companheiros; servem como psicólogos (ouvem nossas conversas sem questionar), são divertidos, animados, emotivos, inteligentes, otimistas, arteiros e dão lições de vida à qualquer pessoa que esteja perdida no mundo capitalista, globalizado e acelerado em que todos nós vivemos.
Ou ainda: os cães, não importa o que aconteça, sempre estarão ao lado de seu dono, o que faz com este, por sua vez, exerça – com segurança – o poder que têm sobre esses animais, já que haja a humilhação que houver, eles sempre estarão ali, abanando o rabo, alegres e saltitantes, com a mísera (ou satisfatória?) ignorância de não compreender o que se passa ao seu redor.
Devido a circunstâncias cotidianas como esta, podemos relatar o sucesso que vem fazendo a história de Marley, cão protagonista do ‘best-seller’ (livro e filme) homônimo “MARLEY & EU”.
Com um ritmo histórico empolgante, o filme nos relata a vida completa do jornalista John Grogan e seu fiel companheiro Marley, um labrador elétrico e anormal, definido pelo próprio autor como o ‘pior cão do mundo’ – não pelo fato dele ser mau, mas sim por ser tão alegre a ponto de se tornar desobediente demais, com energia descontrolável e sendo desastrado, mastigando tudo o que vê pela frente e frustrando todos ao seu redor – diferenças que o tornam especial.
O filme segue o mesmo ritmo do livro, apesar de pecar em alguns pontos: para não diminuir totalmente a história na tela, em duas horas de projeção, ele acaba por narrar, em certos segundos, muitos acontecimentos ao mesmo tempo, com flash de imagens que cansam aos olhos e perturbam os telespectadores, que têm de ler as legendas do filme de forma muito rápida, caso a cópia assistida não seja a dublada. Até mesmo uma cena interessante, ao qual Marley e seus donos passeiam pelas ruas e páram para tomar um café, amarrando a coleira dele na mesa, perdem o encanto, pela rápida cena mostrada.
Exceções à parte, as interpretações dos atores (Jennifer Aniston e Owen Wilson, recuperado de seu surto em suicidar-se) são convincentes, a história não deixa a desejar (apesar de ser óbvio que o livro se supera em muito todos os acontecimentos de uma vida toda contada, sem cortes temporais), o humor do livro é mantido, é baseado em fatos reais e não é nada infantil, como todas as películas de animais que há por aí, além de ser emotivo demais, resgatando o amor, já mencionado, que o ser humano tem por cachorros. Vale a pena conferir esta obra realista, cheia de vida e tocante. Preparem os lencinhos!

Thiago Brogna.

Os Estranhos (The Strangers)




Sinopse:
O longa-metragem foi baseado em fatos reais e traz a história de Kristen e James (Tyler e Speedman), um jovem casal que vai curtir as férias sozinhos em uma isolada casa de subúrbio. Tudo ia muito bem até que três perigosos estranhos mascarados invadem a residência e passam a aterrorizá-los. Sendo assim, eles são forçados a ultrapassar seus próprios limites e o medo para sobreviverem.

Elenco:
Liv Tyler Scott Speedman Sterling Beaumon Peter Clayton-Luce Glenn Howerton Laura Margolis
Produção: Doug Davison, Nathan Kahane, Roy Lee
Roteiro
: The Strangers
Fotografia:
Peter Sova
Gênero:
Suspense
Trilha Sonora :
tomandandy
Ano
: 2008
País:
EUA
Tempo de Filme:
90 min.
Distribuidora:
Paris Filmes
Estúdio:
Rogue Pictures/ Vertigo Entertainment/ Mandate Pictures/ Intrepid Pictures

Qualidade
: DVD-Rip
Tamanho:
700 MB
Legendas: Português-BR

Comentários: A qualidade do filme é excelente! O filme é bem interessante e te deixa numa agonia tremenda do começo ao fim. O foco aqui é na tensão que ele proporciona, sem muitas mortes ou sustos. Vale a pena por causa da angústia que nos causa. Só o final é um tanto incompleto e um pouco irritante, mas do resto é realmente muito bom!